Mirante do Martinelli será reaberto à visitação e terá bares e restaurantes para turistas

Arquitetura e decoração
Viver no Centro
8 de abril

O mirante do Edifício Martinelli será reaberto a visitas ainda neste mês de abril. A ação é parte do Triângulo SP, um projeto de turismo para o centro histórico de São Paulo elaborado pela Secretaria Municipal de Turismo. O terraço funcionou até 2016, quando foi fechado e passou a receber visitas somente em ocasiões especiais.

Mirante do Edifício Martinelli integra projeto de turismo para o centro histórico de São Paulo | Foto: A Vida no Centro
Foto: A Vida no Centro
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O local também foi usado para eventos fechados e serviu de locações para gravações. A chamada da novela Órfãos da Terra, no ar na Rede Globo, por exemplo, foi gravada no terraço do edifício, um dos mais bonitos de São Paulo. Além da beleza do prédio em si, uma construção dos anos 1920, o terraço tem vista em 360 graus, de onde se pode avistar outros prédios icônicos, como o Farol Santander, ao lado, o Theatro Municipal, a Catedral da Sé e, do outro lado, ao fundo, a Serra da Cantareira.

As visitas guiadas começam no fim de abril, com monitores da SP Turis, que já fizeram este trabalho no fim do ano, durante o Festival de Natal. A ideia, segundo o secretário de Turismo, Orlando Faria, é abrir horários na parte da tarde e início da noite, permitindo que o visitante veja o por do sol do edifício.

O Centro como destino turístico

“Queremos criar um destino turístico nesta região”, disse ao A Vida no Centro o secretário municipal de Turismo, Orlando Faria, que vem desenvolvendo este projeto desde maio do ano passado, quando atuava como secretário-executivo no gabinete do prefeito Bruno Covas. Agora, o projeto é prioridade para o prefeito, diz ele.

Foto: A Vida no Centro

O Martinelli tem uma das mais belas vistas do Centro de São Paulo, e o fechamento do terraço foi muito criticado tanto por moradores da cidade quanto por visitantes que não tinham oportunidade de apreciar a vista. Entre 2010 e 2016, quando permaneceu aberto, o mirante recebia cerca de 7 mil visitantes por mês, segundo a Prefeitura.

Concessão ao setor privado

A abertura para a visitação com monitores da SP Turismo é o primeiro passo de um projeto maior. A Prefeitura está abrindo um edital, também em abril, para empresas interessadas numa operação turística no local, com um museu contando a história do edifício no térreo e café e restaurante no terraço.

Serão concedidos os andares 25, 26 e 27 do prédio, incluindo o palacete do Comendador Martinelli, uma casa no alto do edifício, além da loja 11, no térreo, na Avenida São João. O café e restaurante também deverão ter várias opções para os visitantes, de refeições rápidas até um jantar mais sofisticado.

Pelo contrato de concessão, o local deve abrir todos os dias, por pelo menos 10 horas ininterruptas. “Queremos fidelizar o público, que um dia virá para conhecer o Martinelli, outro dia para conhecer o Bar do Cofre, outro dia para o Bar dos Arcos”, diz o secretário de Turismo.

Foto: A Vida no Centro

O objetivo é consolidar o local como destino turístico, além de contribuir para o aumento do movimento de pessoas na região no período noturno e nos fins de semana, quando os escritórios estão fechados. A Prefeitura prevê um investimento de R$ 3 milhões para adequar o espaço às necessidades do programa.

Conheça a história do Martinelli

O Edifício Martinelli é um dos primeiros arranha-céus do Brasil e da América Latina. Localizado no centro de São Paulo, entre as ruas São Bento e Libero Badaró e a Av. São João, o prédio foi idealizado pelo comerciante italiano Giuseppe Martinelli e projetado pelo arquiteto húngaro Vilmos (William) Fillinger.

A construção foi iniciada em 1924 e se arrastou por dez anos, sendo parcialmente inaugurado em 1929, com apenas 12 andares. Devido à disputa pelo título de maior arranha-céu do Brasil com o Edifício “A Noite”, também em obras no Rio de Janeiro, o comerciante Martinelli foi acrescentando novos andares até se convencer de que havia vencido a disputa, alcançando 30 andares e 105 metros de altura. Mais de 600 operários e 90 artesãos trabalharam nas obras.

Foto: A Vida no Centro
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A obra gerou polêmica. Apesar de vista como um símbolo do progresso econômico e tecnológico da mais nova metrópole, foi criticada por seu porte e contraste com os prédios baixos do entorno. Havia ainda uma desconfiança em relação à segurança de um edifício tão alto, e muitos diziam que ele podia cair. Para se contrapor a isso, o Comendador Martinelli construiu um palacete na cobertura do edifício para morar com a família.

O rico e luxuoso edifício atraiu inquilinos ilustres, como o Hotel São Bento e o Cine Rosário, além de restaurantes, clubes, partidos políticos, veículos de imprensa e boates. Mas o bom momento não durou muito. A partir da década de 1960, o empreendimento entrou em uma fase de degradação extrema, com precarização das habitações, ocupações por templos e prostíbulos, colapso dos elevadores, acúmulo de lixo nos poços e ocorrência de diversos crimes. No início dos anos 1970 o edifício havia virado um cortiço e era dominado pelo crime organizado.

Foto: A Vida no Centro

O edifício foi desapropriado e completamente remodelado entre 1975 e 1979 para abrigar órgãos municipais e lojas no piso térreo. Atualmente o edifício é sede das secretarias municipais de Desenvolvimento Urbano (SMDU), Licenciamento (SEL), Habitação (Sehab) e Subprefeituras (SMSUB), da Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab) e da São Paulo Urbanismo, proprietária de alguns andares do prédio, incluindo a cobertura. Atualmente, cerca 80% do prédio pertence a Prefeitura de São Paulo e o restante é privado. A partir da década de 1980, com a regulamentação pelos órgãos de preservação do patrimônio histórico (Conpresp e Condephaat) das diretrizes de preservação de áreas envoltórias de imóveis e espaços públicos próximos, o Edifício Martinelli teve sua volumetria e fachadas tombadas.

Em 2008, a cobertura do edifício foi restaurada e o terraço foi aberto à visitação pública em 2010, permanecendo assim até o fim de 2016.


Por A Vida no Centro